Resenha: Judas Priest – Redeemer of Souls

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Quando o Judas Priest anunciou que faria uma turnê de despedida – a “Epitaph Tour” – ainda no final de 2010, muitos fãs ficaram órfãos. E muita gente, é verdade, achou que a banda fazia bem em parar, antes de ‘ficar ruim’. Ainda mais quando K.K. Downing, guitarrista da formação original, disse que estava fora da banda.

Mas a história do Judas não terminou nem com a turnê de despedida nem com a baixa na formação. Ainda em 2011, em meio à turnê que seria a última do grupo, Rob Halford e Glenn Tipton começaram a compor novas músicas e anunciaram que um disco estava a caminho. Aos fãs restou segurar a ansiedade.

E finalmente em 2014 “Redeemer of Souls”, décimo sétimo álbum da banda, chega às lojas e aos nossos ouvidos. O som é um Heavy Metal tradicional, mas há também, aqui e acolá, um amálgama de tudo o que o Judas Priest já fez.

O disco abre com “Dragonaut” com riffs empolgantes e um ritmo que faz o corpo balançar – vejo ‘air guitars’ na plateia dos shows. A faixa que dá nome ao álbum segue a mesma fórmula. A épica “Halls of Valhalla” é ainda melhor do que as duas. Só por essa trinca, o disco já vale as três estrelas dessa resenha.

Outros destaques são “Battle Cry”, com sua aura de anos 80; a pesada “Metalizer”, “Crossfire” e ainda o hard rock “Hell & Back”. Elas chamam a atenção ou por causa de sua cadência e pegada ou porque há refrão e passagens que convidam a acompanhar levando as cordas vocais aos limites – vamos admitir, fãs de heavy metal não resistem a cantar gritos/coro/refrão junto com a música.

A versão ‘deluxe’ do disco traz cinco faixas extras. Mas se você ficar com as 13 da versão padrão, já tem o pacote completo. Não que elas não sejam boas, mas não são essenciais para a obra, ainda que “Redeemer of Souls” não seja um disco conceitual (as faixas falam de um tudo, de dragões a aliens). Ok, vá lá, eu gostei de “Tears of Blood”. Ela lembrou minha adolescência lá no comecinho dos anos 90. Mas “Never Forget”, a balada com seis minutos e meio que encerra a versão deluxe, é bem chatinha.

A produção, nas mãos de Mike Exeter e do guitarrista Glenn Tipton, soa na medida. Nada sobrando, nada faltando. É a sonoridade que se espera do Judas Priest. E Rob Halford usa sua voz com inteligência e não abusa de agudos que não conseguiria reproduzir ao vivo.

Vale dizer que o novo guitarrista, Richie Faulkner, contribuiu nas composições do disco. E ainda assim, elas soam como o bom e velho Judas Priest – ou ele não pôde, ou não quis se aventurar. Ou isso é o que ele faria dentro ou fora do Judas Priest. O fato é que Faulkner encaixou-se no som do Judas como uma peça em um quebra-cabeça: sem rebarbas, sem erro, sem susto, sem dificuldade.

Faz bem o Judas Priest em sair em turnê com “Redeemer of Souls”. Ele pode não ser o melhor disco da banda, mas é uma coleção de músicas que fazem bonito na quarentona carreira do grupo.

01. Dragonaut
02. Redeemer of Souls
03. Halls of Valhalla
04. Sword of Damocles
05. March of the Damned
06. Down in Flames
07. Hell & Back
08. Cold Blooded
09. Metalizer
10. Crossfire
11. Secrets of the Dead
12. Battle Cry
13. Beginning of the End

Bônus

14. Snakebite
15. Tears of Blood
16. Creatures
17. Bring It On
18. Never Forget