Resenha: Paradise Lost – Symphony for the Lost

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Muitas bandas de rock, metal e derivados já lançaram discos ao vivo com a participação de uma orquestra. Especificamente dentro do doom, o uso de orquestras não é tão popular quanto no gothic metal, por exemplo.

O Paradise Lost é uma das bandas que mesmo quando utilizou desse recurso em estúdio, o fez de modo discreto, sem que isto dominasse o som pesado, às vezes lento, noutras vezes rápido, mas sempre excelente, que a banda produz. Excelente, pelo menos descontando aquele período entre “One Second” e “Symbol of Life”, em que há controvérsias sobre o quanto a banda estava ou não inspirada.

Pois bem, o que temos na primeira parte de “Symphony for the Lost” é a junção perfeita do som que todos nós fãs conhecemos bem com a Orquestra Filarmônica de Plovdiv. A apresentação única que resultou neste registro foi realizada em 20 de setembro de 2014 no palco de um anfiteatro romano construído no séc. II na cidade que dá nome à orquestra, na Bulgária. Conduzida pelo maestro Levon Manukyan, a orquestra acompanha o Paradise Lost nas primeiras oito faixas do CD duplo.

“Tragic Idol”, do ótimo disco homônimo de 2012, é a faixa que abre o repertório. A orquestra deu um ar diferente, mas parece mais quebrar o clima soturno do que realmente agregar. Aliás, com as marcantes linhas de guitarra de Greg Mackintosh, pode até bater a dúvida se esse aparato todo é necessário.

Porém, logo na segunda faixa essa dúvida se dissipa. Não é necessário, mas agrega muito em canções como a lenta e arrastada “Last Regret”, faixa de destaque do repertório de “Faith Divides Us – Death Unites Us”. Ou mesmo em “Your Own Reality”, na qual a orquestra e o coral se destacam.

Não são músicas apenas da fase, digamos, de renascimento do Paradise Lost que foram agraciadas com as orquestrações. Uma das surpresas do repertório é “Joys of Emptiness”, do clássico “Icon”. Mas o curioso mesmo é quando a banda toca a então inédita “Victim of the Past”. Esta música faz parte do disco “The Plague Within”, que só foi lançado quase um ano após este show. Ou seja, o público búlgaro teve a oportunidade de conferir primeiro a tão falada volta às origens promovida pela banda com este excelente último álbum de estúdio.

Encerrando a primeira parte do show temos “Gothic”. Sem dúvida um dos clássicos do grupo, a canção ganhou uma grandiosidade com a orquestra, mas o destaque fica mesmo é por conta do coral.

A segunda parte do show traz outras nove músicas, desta vez sem a participação da Orquestra Filarmônica de Plovdiv, ou seja, é um show relativamente padrão do Paradise Lost. Para quem já viu uma apresentação da banda sabe que isso não é pouca coisa. “The Enemy”, “Erased”, “As I Die” e “True Belief” são algumas incluídas no repertório. “The Last Time”, do “Draconian Times”, é a faixa que encerra esta parte do show.

Além do CD duplo, “Symphony for the Lost” também conta com um DVD com o show completo e um documentário sobre todo o processo que resultou neste trabalho. E para os colecionadores, também tem uma edição em LP duplo. Coisa fina!

Por ser um disco ao vivo com orquestra, este é um lançamento de destaque na carreira da banda. Mas, ao final, fica a dúvida: por que a orquestra não participou da apresentação completa?

 

Paradise Lost – Symphony for the Lost

2015

CD 1
01. Tragic Idol
02. Last Regret
03. Your Own Reality
04. Over the Madness
05. Joys of Emptiness
06. Victim of the Past
07. Soul Courageous
08. Gothic

CD 2
01. The Enemy
02. Erased
03. Isolate
04. Faith Divides Us, Death Unites Us
05. As I Die
06. One Second
07. True Belief
08. Say Just Words
09. The Last Time

Fonte: Rock Online