Resenha: Stratovarius – Eternal

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Pode ser um pouco cruel dizer isso, mas acredito que o auge da carreira do Stratovarius foi alcançado entre 1996 e 1998, ou seja, entre os discos “Episode” e “Destiny”. Depois disso a banda entrou num espiral descendente com lançamentos repetitivos e chatos, com um ou outro momento de sobrevida durante a fase com o guitarrista Matias Kupiainen.

O novo disco, batizado “Eternal”, é o 15º título na discografia da banda finlandesa e, infelizmente, não muda muito essa sensação de que se trata apenas de uma repetição de uma fórmula já esgotada. Não significa que seja um disco propriamente ruim. Os elementos peculiares ao estilo que a banda ajudou a propagar, principalmente durante os anos 90, continuam todos ali. Mas faltam composições que realmente façam o ouvinte sentir aquela empolgação que temos em canções como “The Kiss of Judas”, “Will the Sun Rise?” ou “Against the Wind”.

Repito: não é um jogo totalmente perdido. Existem sim os bons momentos, como em “Shine in the Dark”, a segunda faixa do repertório. O teclado da introdução faz lembrar o disco “Fourth Dimension”. As vozes dobradas dão suporte a Timo Kotipelto e mostram que os anos já têm feito sua ação, privando um pouco o vocalista dos agudos de outros tempos.

“Lost Without a Trace” e “Feeding the Fire” são outras duas faixas que parecem trazer o mesmo clima do disco citado acima. E é curioso perceber que Kupiainen parece bem mais contido neste trabalho do que em outros álbuns. Talvez Kotipelto e o tecladista Jens Johansson estejam tentando impedir que nasça outro monstro problemático no seio do grupo, como já viram ocorrer no passado. Mas o caso é que os teclados têm mais destaque que as partes de guitarra.

“Man in the Mirror”, é uma faixa mais animada nos versos, digamos assim, e consegue empolgar no refrão. Curioso o fato de ter dois solos de teclado, mas nenhum de guitarra, o que segue a linha do que comentei acima.

Querer que uma banda repita um disco de sucesso do passado é menosprezar a criatividade do artista. Mas levando em conta que o Stratovarius continua exatamente com a mesma sonoridade de antes, não seria nada mau se eles conseguissem compor faixas tão empolgantes quanto aquelas que ajudaram a projetar o nome do grupo no cenário do metal mundial. Dessa vez, infelizmente, ficou faltando.

 

Stratovarius – Eternal

2015

01. My Eternal Dream
02. Shine in the Dark
03. Rise Above It
04. Lost Without a Trace
05. Feeding the Fire
06. In My Line of Work
07. Man in the Mirror
08. Few are Those
09. Fire in Your Eyes
10. Lost Saga

Fonte: Rock Online