Resenha: Trivium – Silence In The Snow

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O Trivium sempre teve em seu som uma porção de influências e ao longo dos anos – e dos álbuns lançados – foi modificando seu estilo, acrescentando alguns elementos e abrindo a mão de outros.

Para aqueles que esperam sempre as mesmas características – como todos nós esperamos ao ouvir um disco novo do AC/DC ou do Motörhead – o Trivium pode ser um pouco desapontador. Por outro lado, exige alguma coragem fazer mudanças e é também um sinal de que os músicos estão buscando evolução e novidades e quando encontram isso necessariamente se reflete em seu trabalho.

Bem, essa introdução longa é para dizer que mais uma vez o Trivium ousou. A principal mudança desta vez está nos vocais de Matt Heafy: ele só canta limpo em “Silence In The Snow”. É claro que teve quem não gostasse, mas o músico, que também é guitarrista da banda, não está nem aí: “Desde que eu tinha 12 anos eu queria ser um grande cantor. Eu gritava pois não sabia cantar. Eu estou orgulhoso e animado por finalmente conseguir o que amo do jeito que eu amo. Não amou? Nosso material antigo ainda existe. Amou? Ótimo”.

E isso diz muito sobre o que se ouve em “Silence In The Snow” de modo geral. O Trivium deixou de ser uma banda de metal? Claro que não. Mas a sonoridade, para além da questão vocal, também está mais acessível. Os 43 minutos do repertório não chegam a ser exatamente comerciais – radio friendly como se diz – mas o Heavy metal praticado pelo quarteto traz muito mais melodia.

O sétimo álbum na carreira do Trivium começa com uma introdução instrumental de um minuto e meio chamada “Snøfall” que parece trilha sonora de algum filme épico. Só isso já é o suficiente para deixar o ouvinte de orelha em pé, se perguntando o que vem adiante. A música, vale comentar, é de autoria do multi-instrumentista norueguês Ihsahn.

Logo na sequência, aproveitando o tema melódico dessa introdução, vem a faixa que dá nome ao álbum e tem uma pegada prog metal bem agradável, refrão cheio de ôôôs – ótima para cantar junto com a banda nos shows. A canção é cadenciada, tem um solo legal mas nada excepcional, um refrão reconhecível de primeira e apenas três minutos e quarenta segundos de duração. É uma faixa perfeita para ser um single: ela apresenta toda a proposta da banda para este disco.

O repertório segue linear, na mesma pegada, com boas faixas como “Blind Leading the Blind”, “Dead and Gone” e “The Thing That’s Killing Me” para citar alguns destaques. Todas são pesadas sem nunca negligenciar a melodia, cheias de elementos do Heavy Metal progressivo e é fácil reconhecer influências do Thrash. Mas, de maneira geral, parece haver uma desacelerada na música da banda. Talvez “Silence In The Snow” seja linear demais.

O disco traz ainda um novo baterista: Mat Madiro entrou no lugar de Nick Augusto. Isso não parece fazer grande diferença, mas certamente influencia no todo. O que também se pode dizer da produção, que ficou a cargo de Michael “Elvis” Baskette – ele trabalhou no último disco do Slash, além de ter feito produção para vários discos do Alter Bridge. Eles fazem um bom trabalho mas não chamarão sua atenção.

“Silence In The Snow” é um bom disco, ainda que possa não agradar parte dos fãs o fato dos vocais estarem todos limpos. Mas Matt Heafy está cantando melhor e isso é incontestável: limpo ou não é preciso saber cantar e o vocalista subiu um degrau em qualidade. E o Trivium dá mais um passo adiante – um passo firme. Siga junto quem gostar.

Trivium – Silence In The Snow

2015

01. Snøfall
02. Silence in the Snow
03. Blind Leading the Blind
04. Dead and Gone
05. The Ghost That’s Haunting You
06. Pull Me from the Void
07. Until the World Goes Cold
08. Rise Above the Tides
09. The Thing That’s Killing Me
10. Beneath the Sun
11. Breathe in the Flames

Fonte: Rock Online