Resenha: Primal Fear – Rulebreaker

Às vésperas de completar duas décadas de carreira, a banda alemã Primal Fear lança este novo trabalho de estúdio, “Rulebreaker”. O disco estreia oficialmente uma nova formação do grupo, agora como um sexteto, contando novamente com o guitarrista Tom Naumann como integrante oficial e trazendo ainda o baterista Francesco Jovino, que ocupa o posto que por pouco tempo foi de Aquiles Priester.

“Rulebreaker” traz 11 faixas, além de duas músicas bônus na edição deluxe. Com cerca de 60 minutos de duração, o que temos aqui é simplesmente um dos melhores trabalhos da carreira do grupo. E olha que eu nem sou o que se pode chamar de grande fã, daqueles que sempre acham que tudo está ótimo.

Se no início da carreira o som do Primal Fear pendia mais para o power e speed metal, hoje é um heavy metal mais tradicional que traz latente algumas de suas influências, principalmente Judas Priest. E, afinal, como algo assim pode ser ruim?

As composições estão extremamente pesadas e Ralf Sheepers está em ótima forma, cantando com segurança e força, encaixando bem os agudos sem os abusos de outrora. Há diversos momentos nos quais o instrumental praticamente convida o ouvinte a cantarolar a melodia junto, como a abertura em “Bullets & Tears” ou a parte após os dois solos na faixa que dá início ao disco, “Angels of Mercy”. Ou ainda um chamamento para um bate-cabeça, como com o riff quadradão e empolgante em “The End is Near”.

Com mais de 10 minutos de duração, “We Walk Without Fear” inicia com uma introdução bem cinematográfica e aos poucos vai ganhando diferentes elementos, alternando momentos de sonoridade calma e leve com outros mais pesados.

Músicas que enaltecem e prestigiam esses amados – e muitas vezes controversos – estilos chamados rock e metal não são novidades. De “Long Live Rock” (The Who) à “Gods Made Heavy Metal” (Manowar), de “Long Live Rock and Roll” (Raindow) à “God Gave Rock n’ Roll to You II” (Kiss). E o Primal Fear também tem seu hino dedicado ao metal com “In Metal We Trust”, faixa rápida e poderosa do repertório, obviamente com os momentos certos onde o público deve se juntar ao grupo para soltar a voz. Mesmo que seja só em um grito.

Sabe aquela influência de Judas Priest que eu comentei no começo? Talvez a faixa na qual ela se mostra mais evidente seja “Constant Heart”, bem ao estilo das canções do clássico “Painkiller”, ainda que, na verdade, essas referências estejam permeadas por todo o repertório de “Rulebreaker”. “The Sky is Burning” é até sem graça durante os versos, mas no refrão o grupo caprichou numa melodia contagiante que dá toda uma vida nova para a canção.

Já com uma base de fãs bem consolidada no cenário mundial, o Primal Fear mostra com “Rulebreaker” que pode alcançar patamares mais altos de popularidade entre os fãs de metal. Experiência e qualidade para isso obviamente o grupo tem.

01. Angels of Mercy
02. The End is Near
03. Bullets & Tears
04. Rulebreaker
05. In Metal We Trust
06. We Walk Without Fear
07. At War with the World
08. The Devil in Me
09. Constant Heart
10. The Sky is Burning
11. Raving Mad
12. Final Call (bonus track deluxe edition)
Fonte: Rock Online