Resenha: Jorn- Heavy Rock Radio

Jorn[1]
Sempre que posso teço elogios àquele que – na minha humilde opinião – é o melhor vocalista de metal da atualidade: o senhor Jørn Lande. E mais uma vez ele não decepciona. Dito isso, vou logo ao que interessa que é o novo álbum de estúdio da banda que leva seu nome, Jorn.

Batizado como “Heavy Rock Radio”, o disco traz uma seleção de 12 faixas gravadas originalmente entre 1974 e 2010 e que agora ganharam nova roupagem graças ao trabalho de Jørn e seus parceiros de banda. A saber: Trond Holter (guitarra), Francesco Iovino (bateria), Thomas Bekkevold (baixo) e Alessandro Del Vecchio (teclado), além de outros convidados em duas faixas específicas.

Segundo o próprio vocalista, quando começou a pensar na possibilidade de gravar mais um disco de covers, entre 40 e 50 canções foram listadas. Com os óbvios cortes necessários, Jørn diminuiu a lista para 15 músicas e finalmente escolheu 12 para o repertório final. Entre as escolhidas temos algumas obviedades, como a sempre presente e bem-vinda homenagem ao mestre Ronnie James Dio, mas também algumas surpresas.

E as surpresas são as que merecem maior atenção no disco. A começar por “I Know There’s Something Going On”, faixa de razoável sucesso da cantora norueguesa Frida, aquela que ficou mundialmente famosa como integrante do grupo sueco ABBA. A versão da banda Jorn conseguiu imprimir peso sem descaracterizar a música, inclusive mantendo certo ar pop. Aliás, esse “pop metalizado” me fez lembrar algo do Helloween na fase “Chameleon”.

Outra faixa do universo pop que ganhou peso foi a belíssima e clássica “Running Up That Hill”, da inglesa Kate Bush. Música que, inclusive, já ganhou versões de Within Temptation e Placebo, só para citar dois nomes do universo rock. A cantora e compositora é um dos casos de artista que ultrapassava a questão do estilo, sendo admirada independentemente do gênero musical de preferência do admirador. Mais uma vez a banda consegue se apropriar da canção e transformá-la, ainda assim sem desfigurar a essência do original.

Ainda entre as versões da seara pop temos “You’re the Voice”, famosa com John Farnham, e então chegamos à um interlúdio com canções que transitam entre o pop e o rock: “Rev on the Red Line”, do Foreigner; “Don’t Stop Believin’”, do Journey; “Live to Win”, de Paul Stanley. Esta última é a única que merece realmente atenção. A banda conseguiu transformar uma música apenas bacana em um puta som, adicionando uma energia que o senhor Starchild ficou devendo na original.

“Killer Queen”, do terceiro disco da banda inglesa Queen, parece ter saído das sessões do excelente “Dracula – Swing of Death”, o álbum da parceria de Jørn Lande e o ótimo guitarrista Trond Holter. Em relação ao instrumental, a música se encaixaria perfeitamente como bônus naquele disco. Aqui, de algum modo ela parece um pouco deslocada, causando alguma estranheza.

A partir da sétima faixa o álbum traz canções que são mais pesadas desde a concepção. Ou, pelo menos, desde que ganharam o mundo. A exceção é a balada “Hotel California”, maior sucesso do Eagles, que ganhou uma roupagem cheia de energia e peso, sem perder as linhas acústicas e o solo, trechos tão famosos da canção. As guitarras adicionadas revigoraram a música e parecem trazer à tona as várias lendas que envolvem a composição. Não conhece as lendas? Google.

Jørn Lande não tem problemas em regravar músicas de artistas contemporâneos ou até mais novos que ele. Veja o caso de “I Walk Alone”, de Tarja Turunen, registrada em “Spirit Black”, de 2009. Então, qual seria o problema em gravar uma versão para uma música relativamente recente de uma das maiores bandas de metal da história? Nenhuma. E aí temos “The Final Frontier”, faixa-título do disco lançado pelo Iron Maiden em 2010. Curioso é que justamente nessa música parece que o quinteto fez o caminho inverso das primeiras faixas do disco: deu uma suavizada no peso original. Ainda assim ficou uma boa versão.

Finalmente chegamos nas óbvias e, como disse no início, muito bem-vindas homenagens a dois dos maiores vocalistas da história do hard rock/metal e claramente duas das maiores influências de Jørn Lande: Ronnie James Dio e David Coverdale.

Dio é lembrado com “Rainbow in the Dark”, de sua banda solo, e “Die Young”, do Black Sabbath. Para o cover do Dio o vocalista contou com os músicos Jimmy Iversen e Tore Moren (guitarras), Nic Angileri (baixo) e Willy Bendiksen (bateria). Se você conhece Jørn Lande, sabe o que esperar: versões muito próximas das originais e, por isso mesmo, a música do Sabbath ficou muito melhor.

Já a homenagem a Coverdale vem na forma de “Stormbringer”. A excelente versão se aproxima mais daquela que o próprio ex-vocalista do Deep Purple fez recentemente no disco “The Purple Album”, do que da original, lançada em 1974, ou seja, muito mais peso. Esta gravação traz Jørn junto com os músicos Jorn Viggo Lofstad (guitarra), Sid Ringsby (baixo) e Willy Bendiksen (bateria).

Ao vermos a lista de músicas escolhidas pela banda Jorn para este disco, talvez duvidemos do resultado. Mas ao ouvir o álbum fica claro que a qualidade dos músicos e a força da voz de Jørn Lande conseguem criar uma unidade que muitas bandas não têm nem em seus trabalhos autorais. Apesar da capa de gosto duvidoso, o conteúdo é dos melhores.

Jorn- Heavy Rock Radio – 2016
01. I Know There’s Something Going On
02. Running Up That Hill
03. Rev on the Red Line
04. You’re the Voice
05. Live to Win
06. Don’t Stop Believin’
07. Killer Queen
08. Hotel California
09. Rainbow in the Dark
10. The Final Frontier
11. Stormbringer
12. Die Young