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Resenha: Tarja Turunen – The Brightest Void

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“The Brightest Void” é, oficialmente, o sexto disco de estúdio da cantora Tarja Turunen, contando aí com os dois registros de versões de música clássica “Henkäys ikuisuudesta” e “Ave Maria – En Plein Air”. Este novo trabalho pode ser considerado uma prévia de outro álbum previsto para chegar às lojas em agosto, “The Shadow Self”.

Este aperitivo dado aos fãs conta com nove faixas, incluindo covers, versões de faixas já conhecidas, novidades e uma nova mixagem de “Paradise (What About Us)”, música que originalmente foi lançada no álbum “Hydra”, do Within Temptation, e traz Tarja dividindo os vocais com Sharon den Adel e acompanhamento dos músicos da banda holandesa.

A primeira faixa do repertório é “No Bitter End”, música que começa com um riff que parece indicar que a ex-vocalista do Nightwish procurou uma sonoridade mais pesada em suas novas composições. Porém, nos versos esse peso inicial perde força e principalmente durante o refrão. O que parecia uma guinada ao lado pesado da força se esvanece rápido.

Para as sessões de gravação do material que resultou em “The Brightest Void” e “The Shadow Self”, Tarja contou com alguns músicos convidados. Um deles é o vocalista e saxofonista finlandês Michael Monroe, que ganhou fama no mundo do rock como vocalista da banda punk glam Hanoi Rocks. Monroe colabora em “Your Heaven and Your Hell”. Um heavy rock rápido e direto com um belo interlúdio que conta até com um solo de sax. A música é bem bacana, mas soa estranha sendo incluída em um disco de Tarja.

A faixa seguinte, chamada “Eagle Eye”, traz outros dois convidados: Toni Turunen, irmão da vocalista, e o baterista Chad Smith, do Red Hot Chili Peppers. Segundo a própria Tarja, no disco “The Shadow Self” esta música será incluída em uma nova versão contando com outros músicos. Sobre a música em si, é mais a cara do trabalho já conhecido de Tarja, bastante melódico e bem comercial, apesar de lampejos de metal com uma guitarra pesada.

“An Empty Dream” vem em seguida. Música já conhecida dos fãs, foi lançada no ano passado originalmente na trilha do filme argentino “Corazón Muerto”. A nova versão traz mais incursões de barulhos e chiados – ou efeitos, se preferir – que ajudam a reforçar o clima sombrio do filme, além de ter uma presença mais marcante da voz da cantora.

Uma música que realmente é um achado neste repertório é a bela versão de “House of Wax”. Lançada por Paul McCartney no disco “Memory Almost Full”, de 2007, o cover gravado por Tarja deixou a música muito mais sombria e melancólica, porém muito bonita. Ponto alto do álbum, com um belo solo de guitarra.

Como anunciado, “The Brightest Void” é um prenúncio do próximo álbum. Por isso e pelo próprio repertório mediano, o item provavelmente valha muito para aumentar a coleção dos fãs de Tarja Turunen, mas não deve empolgar os poucos familiarizados com o trabalho da ex-Nightwish.

Tarja Turunen

The Brightest Void – 2016

01. No Bitter End (videoclip version)
02. Your Heaven and Your Hell (com Michael Monroe)
03. Eagle Eye (com Chad Smith & Toni Turunen)
04. An Empty Dream
05. Witch Hunt
06. Shameless
07. House of Wax (Paul McCartney cover)
08. Goldfinger (Shirley Bassey cover)
09. Paradise (What About Us) (com Within Temptation)

Crédito: Rock online

Amon Amarth – Jomsviking (Resenha)

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“Jomsviking” é o título do 10º álbum de estúdio da banda Amon Amarth. Um dos nomes mais cultuados do metal sueco e do death metal melódico, o grupo apresenta neste novo trabalho um disco conceitual e musicalmente mais amplo que registros anteriores. E o resultado dessa pequena mudança é extremamente positivo.

Obviamente mantendo os vikings e a cultura nórdica como tema principal, em “Jomsviking” a banda inclui nas entrelinhas uma história de amor. Pois é, os vikings também amam! Ou amavam. Enfim, a história é, basicamente, sobre um guerreiro apaixonado e desprezado por seu amor que comete um assassinato e é exilado. Daí se desenrola o enredo.

O álbum traz 11 faixas e o principal destaque no contexto geral é a adição de uma sonoridade muito mais melódica ao típico som do grupo, graças às guitarras de Olavi Mikkonen e Johan Söderberg. Também há variações nos vocais de Johan Hegg, que altera o modo de cantar deixando a voz mais limpa em alguns momentos.

Outra mudança a ser citada é que “Jomsviking” não conta com o baterista Fredrik Andersson, que deixou o grupo no ano passado. Quem assumiu as baquetas como convidado foi Tobias Gustafsson, que mostra toda sua destreza em momentos extremos e adiciona novos elementos ao lado de Ted Lundström.

“First Kill”, faixa já divulgada anteriormente pelo grupo, abre o repertório mostrando que o Amon Amarth não perdeu sua força com essas pequenas mudanças. Já a faixa seguinte, “Wanderer”, talvez soe pouco agressiva para os vikings de plantão. Mais melódica, a música tem uma introdução com as guitarras dobradas e um riff quadradrão e por isso mesmo mais empolgante.

Já “On a Sea of Blood” tem um riff inicial que remete às bandas alemãs de thrash metal e segue no mesmo esquema durante os versos, ganhando um pouco mais de melodia em trechos intermediários.

Pessoalmente prefiro os momentos mais melódicos do disco. Por isso mesmo “One Thousand Burning Arrows” se tornou uma das minhas preferidas, justamente por fugir um pouco do esquema extremo mais padrão do grupo.

Mas se tem uma faixa que chama atenção no disco é “A Dream that Cannot Be”, nem tanto pela música em si, ainda que seja uma boa composição. O principal atrativo é a convidada especial que canta na música: Doro Pesch. A rainha do metal soma seu talento e experiência ao trabalho do Amon Amarth e mesmo não sendo algo espetacular, é algo que vale a atenção.

Justamente pela leve mudança no direcionamento musical, este é um disco que tem material bom o bastante para atrair novos admiradores ao trabalho do Amon Amarth. E o bom é que essa adição de melodias não prejudica o que desde o início atrai os velhos fãs. Que este seja o novo caminho do grupo.

01. First Kill
02. Wanderer
03. On a Sea of Blood
04. One Against All
05. Raise Your Horns
06. The Way of Vikings
07. At Dawn’s First Light
08. One Thousand Burning Arrows
09. Vengeance is My Name
10. A Dream that Cannot Be
11. Back on Nothern Shores

Fonte: Rock Online

Resenha: Anthrax – For All Kings

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Em 35 anos de carreira o Anthrax se tornou um dos grandes nomes do metal produzido nos Estados Unidos e, mais do que isso, um dos precursores do estilo que veio a ser chamado thrash metal. “For All Kings” é o 11º disco de estúdio na história do grupo e o 17º se colocarmos na conta os registros ao vivo. É uma bela discografia que conseguiu manter uma produção regular, apesar das mudanças de formação.

Por falar nisso, neste álbum o grupo formado pelo guitarrista Scott Ian em 1981 traz o primeiro registro oficial em estúdio da atual formação, contando com o guitarrista Jonathan Donais que desde 2013 excursiona com o Anthrax. Além dos dois, completam o grupo os já conhecidos Joey Belladonna (voz), Charlie Benante (bateria) e Frank Bello (baixo).

Assim como as outras três bandas que formam o Big Four – Metallica, Megadeth e Slayer – o Anthrax também passou por algumas mudanças em sua sonoridade, principalmente durante a década de 1990. Porém, atualmente, talvez seja a que mais se aproxima do seu som original, incluindo novos elementos sem descaracterizar aquela sonoridade que fez com que o grupo se tornasse grande.

A relativamente longa “You Gotta Believe”, que ocupa os primeiros sete minutos do disco, começa com uma curiosa introdução quase cinematográfica, mas logo depois os riffs marcantes de Ian e as batidas certeiras de Benante te mostram que o Anthrax continua em boa forma.

Além das partes mais rápidas e obviamente mais thrash metal, também há espaço para momentos cheios de melodia e que, de certo modo, trazem uma sonoridade mais abrangente, digamos assim, como a excelente “Blood Eagle Wings”, que ganhou uma edição em vídeo que mostra um antigo método de execução bizarro, no mínimo.

Essa adição de momentos mais melódicos deixam as composições muito mais interessantes do que simplesmente os marcantes riffs criados por Scott Ian. Enquanto “Monster at the End” remete aos trabalhos mais antigos, porém com um refrão cativante, outras como “Breathing Lightning”, se mostram mais como uma mistura do passado e presente da banda.

“For All Kings” se mostra um álbum com potencial de unir gerações de fãs e, o principal, certifica que o Anthrax continua capaz de produzir material de qualidade sem precisar entrar em modas. A banda certamente está muito além disso.

01. You Gotta Believe
02. Monster at the End
03. For All Kings
04. Breathing Lightning
05. Suzerain
06. Evil Twin
07. Blood Eagle Wings
08. Defend/Avenge
09. All of Them Thieves
10. This Battle Chose Us
11. Zero Tolerance

Fonte: Rock Online

Resenha: Primal Fear – Rulebreaker

Às vésperas de completar duas décadas de carreira, a banda alemã Primal Fear lança este novo trabalho de estúdio, “Rulebreaker”. O disco estreia oficialmente uma nova formação do grupo, agora como um sexteto, contando novamente com o guitarrista Tom Naumann como integrante oficial e trazendo ainda o baterista Francesco Jovino, que ocupa o posto que por pouco tempo foi de Aquiles Priester.

“Rulebreaker” traz 11 faixas, além de duas músicas bônus na edição deluxe. Com cerca de 60 minutos de duração, o que temos aqui é simplesmente um dos melhores trabalhos da carreira do grupo. E olha que eu nem sou o que se pode chamar de grande fã, daqueles que sempre acham que tudo está ótimo.

Se no início da carreira o som do Primal Fear pendia mais para o power e speed metal, hoje é um heavy metal mais tradicional que traz latente algumas de suas influências, principalmente Judas Priest. E, afinal, como algo assim pode ser ruim?

As composições estão extremamente pesadas e Ralf Sheepers está em ótima forma, cantando com segurança e força, encaixando bem os agudos sem os abusos de outrora. Há diversos momentos nos quais o instrumental praticamente convida o ouvinte a cantarolar a melodia junto, como a abertura em “Bullets & Tears” ou a parte após os dois solos na faixa que dá início ao disco, “Angels of Mercy”. Ou ainda um chamamento para um bate-cabeça, como com o riff quadradão e empolgante em “The End is Near”.

Com mais de 10 minutos de duração, “We Walk Without Fear” inicia com uma introdução bem cinematográfica e aos poucos vai ganhando diferentes elementos, alternando momentos de sonoridade calma e leve com outros mais pesados.

Músicas que enaltecem e prestigiam esses amados – e muitas vezes controversos – estilos chamados rock e metal não são novidades. De “Long Live Rock” (The Who) à “Gods Made Heavy Metal” (Manowar), de “Long Live Rock and Roll” (Raindow) à “God Gave Rock n’ Roll to You II” (Kiss). E o Primal Fear também tem seu hino dedicado ao metal com “In Metal We Trust”, faixa rápida e poderosa do repertório, obviamente com os momentos certos onde o público deve se juntar ao grupo para soltar a voz. Mesmo que seja só em um grito.

Sabe aquela influência de Judas Priest que eu comentei no começo? Talvez a faixa na qual ela se mostra mais evidente seja “Constant Heart”, bem ao estilo das canções do clássico “Painkiller”, ainda que, na verdade, essas referências estejam permeadas por todo o repertório de “Rulebreaker”. “The Sky is Burning” é até sem graça durante os versos, mas no refrão o grupo caprichou numa melodia contagiante que dá toda uma vida nova para a canção.

Já com uma base de fãs bem consolidada no cenário mundial, o Primal Fear mostra com “Rulebreaker” que pode alcançar patamares mais altos de popularidade entre os fãs de metal. Experiência e qualidade para isso obviamente o grupo tem.

01. Angels of Mercy
02. The End is Near
03. Bullets & Tears
04. Rulebreaker
05. In Metal We Trust
06. We Walk Without Fear
07. At War with the World
08. The Devil in Me
09. Constant Heart
10. The Sky is Burning
11. Raving Mad
12. Final Call (bonus track deluxe edition)
Fonte: Rock Online

Resenha: Hevora – Tales fron a Forgotten Land

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Estamos vivendo tempos musicais muito difíceis, bandas consagradas lançam apenas trabalhos medianos sem grandes inovações e muitas bandas novas vivem a sombra destas grandes bandas.

Mas posso dizer que o trabalho deste caras foge desta realidade, durante a audição do álbum notei as claras influencias musicais, (Blind Guardian, Iron Maiden e Savatage) mas sem soar uma cópia. O Hevora traz aqui em “Tales From a Forgotten Land” um novo folego para o estilo Power/Heavy/Melodic Metal. Eles conseguiram absorver muito bem a essência do estilo e transmiti-lo em 7 faixas. Gostei muito das nuances que cada faixa apresenta, usando elementos como violões e corais para dar vida ao som. Gostei também do timbre do vocal de Allan Cleypton, se encaixou muito na proposta de som do Hevora.

Um único pesar é qualidade da produção de estúdio que ficou um pouco baixa, mas isso não desmerece o trabalho como um todo, ate por que não podemos julgar um trabalho simplesmente pela qualidade final de som, o que importa é a paixão, inspiração, e garra que eles apresentaram aqui. Eles tem tudo para despontar no cenário musical nacional e mundial, eu até arriscaria dizer que o Hevora é um promessa de grandes trabalhos, e gostaria muito de ouvir as faixas deste álbum gravadas em um estúdio melhor no futuro.

Mais uma vez o Nordeste mostra pro Brasil que o Rock/Metal vive firme e forte em nossas terras, fiquei extremamente feliz por ter recebido este álbum diretamente do Piauí e conhecer mais uma excelente banda do nosso país. Se você trombar com este álbum, não perca a oportunidade de adquiri-lo.

 

Músicas:
1. Cradle of Heroes
2. Memories of a Bloodshed
3. Injustice Revenge
4. The Damned from the River
5. The Last Breath of a Brave
6. Rage of the Old Monk
7. Tales from a Forgotten Land/Blood, Lust and Damnation
Banda:
Allan Cleypton – Vocais
Carlos Del Prestes – Guitarras
Júnior Vieira – Guitarras
Leandro Sales – Teclados
Cláudio Luz – Baixo
Ivan Martins – Bateria

 

 

 

Resenha: Paradise Lost – Symphony for the Lost

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Muitas bandas de rock, metal e derivados já lançaram discos ao vivo com a participação de uma orquestra. Especificamente dentro do doom, o uso de orquestras não é tão popular quanto no gothic metal, por exemplo.

O Paradise Lost é uma das bandas que mesmo quando utilizou desse recurso em estúdio, o fez de modo discreto, sem que isto dominasse o som pesado, às vezes lento, noutras vezes rápido, mas sempre excelente, que a banda produz. Excelente, pelo menos descontando aquele período entre “One Second” e “Symbol of Life”, em que há controvérsias sobre o quanto a banda estava ou não inspirada.

Pois bem, o que temos na primeira parte de “Symphony for the Lost” é a junção perfeita do som que todos nós fãs conhecemos bem com a Orquestra Filarmônica de Plovdiv. A apresentação única que resultou neste registro foi realizada em 20 de setembro de 2014 no palco de um anfiteatro romano construído no séc. II na cidade que dá nome à orquestra, na Bulgária. Conduzida pelo maestro Levon Manukyan, a orquestra acompanha o Paradise Lost nas primeiras oito faixas do CD duplo.

“Tragic Idol”, do ótimo disco homônimo de 2012, é a faixa que abre o repertório. A orquestra deu um ar diferente, mas parece mais quebrar o clima soturno do que realmente agregar. Aliás, com as marcantes linhas de guitarra de Greg Mackintosh, pode até bater a dúvida se esse aparato todo é necessário.

Porém, logo na segunda faixa essa dúvida se dissipa. Não é necessário, mas agrega muito em canções como a lenta e arrastada “Last Regret”, faixa de destaque do repertório de “Faith Divides Us – Death Unites Us”. Ou mesmo em “Your Own Reality”, na qual a orquestra e o coral se destacam.

Não são músicas apenas da fase, digamos, de renascimento do Paradise Lost que foram agraciadas com as orquestrações. Uma das surpresas do repertório é “Joys of Emptiness”, do clássico “Icon”. Mas o curioso mesmo é quando a banda toca a então inédita “Victim of the Past”. Esta música faz parte do disco “The Plague Within”, que só foi lançado quase um ano após este show. Ou seja, o público búlgaro teve a oportunidade de conferir primeiro a tão falada volta às origens promovida pela banda com este excelente último álbum de estúdio.

Encerrando a primeira parte do show temos “Gothic”. Sem dúvida um dos clássicos do grupo, a canção ganhou uma grandiosidade com a orquestra, mas o destaque fica mesmo é por conta do coral.

A segunda parte do show traz outras nove músicas, desta vez sem a participação da Orquestra Filarmônica de Plovdiv, ou seja, é um show relativamente padrão do Paradise Lost. Para quem já viu uma apresentação da banda sabe que isso não é pouca coisa. “The Enemy”, “Erased”, “As I Die” e “True Belief” são algumas incluídas no repertório. “The Last Time”, do “Draconian Times”, é a faixa que encerra esta parte do show.

Além do CD duplo, “Symphony for the Lost” também conta com um DVD com o show completo e um documentário sobre todo o processo que resultou neste trabalho. E para os colecionadores, também tem uma edição em LP duplo. Coisa fina!

Por ser um disco ao vivo com orquestra, este é um lançamento de destaque na carreira da banda. Mas, ao final, fica a dúvida: por que a orquestra não participou da apresentação completa?

 

Paradise Lost – Symphony for the Lost

2015

CD 1
01. Tragic Idol
02. Last Regret
03. Your Own Reality
04. Over the Madness
05. Joys of Emptiness
06. Victim of the Past
07. Soul Courageous
08. Gothic

CD 2
01. The Enemy
02. Erased
03. Isolate
04. Faith Divides Us, Death Unites Us
05. As I Die
06. One Second
07. True Belief
08. Say Just Words
09. The Last Time

Fonte: Rock Online

Resenha: Stratovarius – Eternal

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Pode ser um pouco cruel dizer isso, mas acredito que o auge da carreira do Stratovarius foi alcançado entre 1996 e 1998, ou seja, entre os discos “Episode” e “Destiny”. Depois disso a banda entrou num espiral descendente com lançamentos repetitivos e chatos, com um ou outro momento de sobrevida durante a fase com o guitarrista Matias Kupiainen.

O novo disco, batizado “Eternal”, é o 15º título na discografia da banda finlandesa e, infelizmente, não muda muito essa sensação de que se trata apenas de uma repetição de uma fórmula já esgotada. Não significa que seja um disco propriamente ruim. Os elementos peculiares ao estilo que a banda ajudou a propagar, principalmente durante os anos 90, continuam todos ali. Mas faltam composições que realmente façam o ouvinte sentir aquela empolgação que temos em canções como “The Kiss of Judas”, “Will the Sun Rise?” ou “Against the Wind”.

Repito: não é um jogo totalmente perdido. Existem sim os bons momentos, como em “Shine in the Dark”, a segunda faixa do repertório. O teclado da introdução faz lembrar o disco “Fourth Dimension”. As vozes dobradas dão suporte a Timo Kotipelto e mostram que os anos já têm feito sua ação, privando um pouco o vocalista dos agudos de outros tempos.

“Lost Without a Trace” e “Feeding the Fire” são outras duas faixas que parecem trazer o mesmo clima do disco citado acima. E é curioso perceber que Kupiainen parece bem mais contido neste trabalho do que em outros álbuns. Talvez Kotipelto e o tecladista Jens Johansson estejam tentando impedir que nasça outro monstro problemático no seio do grupo, como já viram ocorrer no passado. Mas o caso é que os teclados têm mais destaque que as partes de guitarra.

“Man in the Mirror”, é uma faixa mais animada nos versos, digamos assim, e consegue empolgar no refrão. Curioso o fato de ter dois solos de teclado, mas nenhum de guitarra, o que segue a linha do que comentei acima.

Querer que uma banda repita um disco de sucesso do passado é menosprezar a criatividade do artista. Mas levando em conta que o Stratovarius continua exatamente com a mesma sonoridade de antes, não seria nada mau se eles conseguissem compor faixas tão empolgantes quanto aquelas que ajudaram a projetar o nome do grupo no cenário do metal mundial. Dessa vez, infelizmente, ficou faltando.

 

Stratovarius – Eternal

2015

01. My Eternal Dream
02. Shine in the Dark
03. Rise Above It
04. Lost Without a Trace
05. Feeding the Fire
06. In My Line of Work
07. Man in the Mirror
08. Few are Those
09. Fire in Your Eyes
10. Lost Saga

Fonte: Rock Online

Resenha: Trivium – Silence In The Snow

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O Trivium sempre teve em seu som uma porção de influências e ao longo dos anos – e dos álbuns lançados – foi modificando seu estilo, acrescentando alguns elementos e abrindo a mão de outros.

Para aqueles que esperam sempre as mesmas características – como todos nós esperamos ao ouvir um disco novo do AC/DC ou do Motörhead – o Trivium pode ser um pouco desapontador. Por outro lado, exige alguma coragem fazer mudanças e é também um sinal de que os músicos estão buscando evolução e novidades e quando encontram isso necessariamente se reflete em seu trabalho.

Bem, essa introdução longa é para dizer que mais uma vez o Trivium ousou. A principal mudança desta vez está nos vocais de Matt Heafy: ele só canta limpo em “Silence In The Snow”. É claro que teve quem não gostasse, mas o músico, que também é guitarrista da banda, não está nem aí: “Desde que eu tinha 12 anos eu queria ser um grande cantor. Eu gritava pois não sabia cantar. Eu estou orgulhoso e animado por finalmente conseguir o que amo do jeito que eu amo. Não amou? Nosso material antigo ainda existe. Amou? Ótimo”.

E isso diz muito sobre o que se ouve em “Silence In The Snow” de modo geral. O Trivium deixou de ser uma banda de metal? Claro que não. Mas a sonoridade, para além da questão vocal, também está mais acessível. Os 43 minutos do repertório não chegam a ser exatamente comerciais – radio friendly como se diz – mas o Heavy metal praticado pelo quarteto traz muito mais melodia.

O sétimo álbum na carreira do Trivium começa com uma introdução instrumental de um minuto e meio chamada “Snøfall” que parece trilha sonora de algum filme épico. Só isso já é o suficiente para deixar o ouvinte de orelha em pé, se perguntando o que vem adiante. A música, vale comentar, é de autoria do multi-instrumentista norueguês Ihsahn.

Logo na sequência, aproveitando o tema melódico dessa introdução, vem a faixa que dá nome ao álbum e tem uma pegada prog metal bem agradável, refrão cheio de ôôôs – ótima para cantar junto com a banda nos shows. A canção é cadenciada, tem um solo legal mas nada excepcional, um refrão reconhecível de primeira e apenas três minutos e quarenta segundos de duração. É uma faixa perfeita para ser um single: ela apresenta toda a proposta da banda para este disco.

O repertório segue linear, na mesma pegada, com boas faixas como “Blind Leading the Blind”, “Dead and Gone” e “The Thing That’s Killing Me” para citar alguns destaques. Todas são pesadas sem nunca negligenciar a melodia, cheias de elementos do Heavy Metal progressivo e é fácil reconhecer influências do Thrash. Mas, de maneira geral, parece haver uma desacelerada na música da banda. Talvez “Silence In The Snow” seja linear demais.

O disco traz ainda um novo baterista: Mat Madiro entrou no lugar de Nick Augusto. Isso não parece fazer grande diferença, mas certamente influencia no todo. O que também se pode dizer da produção, que ficou a cargo de Michael “Elvis” Baskette – ele trabalhou no último disco do Slash, além de ter feito produção para vários discos do Alter Bridge. Eles fazem um bom trabalho mas não chamarão sua atenção.

“Silence In The Snow” é um bom disco, ainda que possa não agradar parte dos fãs o fato dos vocais estarem todos limpos. Mas Matt Heafy está cantando melhor e isso é incontestável: limpo ou não é preciso saber cantar e o vocalista subiu um degrau em qualidade. E o Trivium dá mais um passo adiante – um passo firme. Siga junto quem gostar.

Trivium – Silence In The Snow

2015

01. Snøfall
02. Silence in the Snow
03. Blind Leading the Blind
04. Dead and Gone
05. The Ghost That’s Haunting You
06. Pull Me from the Void
07. Until the World Goes Cold
08. Rise Above the Tides
09. The Thing That’s Killing Me
10. Beneath the Sun
11. Breathe in the Flames

Fonte: Rock Online

Resenha: Halestorm – Into the Wild Life

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O Halestorm vem passo a passo consolidando sua posição no mundo da música. Talvez alguém diga que o fato de a banda ter como vocalista uma mulher jovem e bonita ajuda nesse mundo ainda bastante masculino do rock n’ roll. Talvez tenha ajudado no início, mas a verdade é que o quarteto mostra neste novo disco que tem sim talento e capacidade para deixar sua marca impressa entre as bandas da segunda década dos anos 2000.

Isso significa que o trabalho do Halestorm é sensacional, inovador e único? Não, não é. Mas nem sempre é necessário reinventar a roda, basta usá-la da melhor maneira possível. E isso o grupo faz. “Into the Wild Life” é o terceiro disco na carreira da banda e traz 13 faixas na edição padrão e mais duas músicas bônus na edição deluxe.

É curioso como o Halestorm consegue reunir os elementos básicos que formam seu som de modo tão harmonioso: o pop e o rock. Claro, no final das contas trata-se de uma banda de rock, mas não tem como negar que existe um forte elemento pop, comercial mesmo, o que obviamente pode fazer com que o público do grupo seja um tanto mais amplo.

“Scream” é a faixa que abre o disco com uma pegada mais de rock alternativo e sem a força de outras canções que poderiam ter sido escolhidas para essa posição de destaque no repertório, como a faixa que vem na sequência, “I Am the Fire”. A música até começa bem sem graça, mas próximo à marca de um minuto ela ganha força e a bela Elizabeth ‘Lzzy’ Hale mostra a potência de sua voz.

Algumas canções exploram o lado mais alternativo do Halestorm, algo que se assemelha a jovens bandas norte-americanas, como é o caso de “Sick Individual”. Mas isso não significa que se trate de uma canção ruim, porque não é mesmo. Outras começam fracas e ganham vida como “Amen”. E ainda tem as baladas bem pop, como “Dear Daughter”, “Bad Girls World” e “What Sober Couldn’t Say”, com um trabalho de órgão bem legal que dá um ar nostálgico à canção.

Mas algumas são certeiras do início ao fim, como “Mayhem”, principalmente nas partes mais agressivas, “Gonna Get Mine” e “Like it Heavy”, ambas com algo de Southern rock, e “Apocalyptic”.

Neste caminho do rock, sem deixar de flertar abertamente com o pop, o Halestorm ainda é uma banda que vai crescer mais em popularidade se depender de discos com a mesma qualidade que este “Into the Wild Life”. Veremos o que o futuro reserva ao grupo.

Halestorm – Into the Wild Life

2015

Atlantic Records

01. Scream
02. I Am the Fire
03. Sick Individual
04. Amen
05. Dear Daughter
06. New Modern Love
07. Mayhem
08. Bad Girls World
09. Gonna Get Mine
10. The Reckoning
11. Apocalyptic
12. What Sober Couldn’t Say
13. Like It Heavy
14. Jump the Gun (Bônus)
15. Unapologetic (Bônus)

Fonte: Rock Online

Resenha: Nightwish – Endless Forms Most Beautiful

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Os fãs de Nightwish esperaram ansiosos o lançamento de “Endless Forms Most Beautiful”, álbum que marca uma nova era na carreira do grupo, agora contando com a já bem conhecida Floor Jansen nos vocais. Mas esta não é a única mudança. Agora a banda conta com o gaitista Troy Donockley, oficializado como membro do Nightwish, e o baterista Kai Hahto, provisoriamente ocupando o posto de Jukka Nevalainen.

Pomposa sem soar brega, a banda conseguiu produzir um trabalho onde as orquestrações e os corais têm presença marcante, mas sem exageros, pecado bem comum entre as bandas de metal sinfônico, principalmente naquelas que ainda abusam dos teclados e sintetizadores. São 78 minutos de música divididos em 11 faixas, sem contar as edições com CD instrumental e um terceiro CD orquestrado.

A ilustre narração do biólogo e escritor Richard Dawkins em “Shudder Before the Beautiful” abre o disco, seguida de uma sequência orquestrada que logo ganha a adição de peso da guitarra de Emppu Vuorinen. Floor inicia com vocal suave que vai crescendo e ganhando força no decorrer da canção. Vuorinen presenteia os fãs com um belo e curto solo, acompanhado pelo dono da banda, Tuomas Holopainen.

Em “Weak Fantasy” Floor está um pouco mais solta e diversifica mais seu modo de cantar, indo do suave ao agressivo e se mostrando a escolha acertada para o posto que ocupa. Esta é uma faixa um pouco mais pesada que sua antecessora, o que deve agradar aos fãs que preferem o lado mais metal e direto da banda. Vale destacar o vocal competente de Marco Hietala que dá o ar da graça nesta faixa.

Aquele clima fantasioso e que remete aos primeiros trabalhos do grupo está presente na já bem conhecida “Élan”, primeiro single oficial do disco. Nesta, Troy Donockley mostra o porquê de sua adição com uma bela melodia. Ainda que tenha um riff interessante e pesado, esta é uma das faixas mais pop do repertório.

A orquestração manjada de “Yours is an Empty Hope” quase estraga a canção, que é salva pelo riff que vem na sequência e, mais uma vez, pela dobradinha de Floor e Hietala. Outra faixa que faz lembrar trabalhos do início da carreira da banda é “My Walden”, mas as diferentes passagens durante a canção fazem desta uma das mais legais do repertório.

Vinte e quatro minutos é o tempo de duração da última faixa, “The Greatest Show on Earth”. A música, dividida em cinco partes, tem ótimos momentos, mas parece um pouco exagerada demais em sua megalomania.

Vale dizer que a banda caprichou no trabalho gráfico, com belos desenhos ilustrando as páginas do encarte.

Hoje o Nightwish é, provavelmente, o maior nome do metal sinfônico em atividade. Talvez esteja na hora de reorganizar essa balança que pende mais para o sinfônico do que para o metal. Mas se tem uma coisa a se louvar nesse disco, é que aqueles vocais operísticos acabaram de vez.

Nightwish – Endless Forms Most Beautiful

2015

Nuclear Blast

01. Shudder Before the Beautiful
02. Weak Fantasy
03. Elan
04. Yours is an Empty Hope
05. Our Decades in the Sun
06. My Walden
07. Endless Forms Most Beautiful
08. Edema Ruh
09. Alpenglow
10. The Eyes of Sharbat Gula
11. The Greatest Show on Earth

Fonte: Rock Online

Resenha: Nazareth – Rock ‘n’ Roll Telephone

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Não é nada fácil quando uma banda precisa trocar seu vocalista. Não porque ele seja a peça mais importante do grupo – às vezes, é – mas de qualquer modo ele acaba sendo a cara da banda, o elemento mais facilmente reconhecível. Bem, o grupo escocês Nazareth foi obrigado a fazer isso.

O vocalista Dan McCafferty anunciou sua aposentadoria, por problemas de saúde, e “Rock ‘n’ Roll Telephone”, o vigésimo terceiro disco na carreira da banda, é o último com sua participação. Isso torna o álbum especial para os fãs, algo que apela à emoção. Junte-se a isso o fato de que, ao lado do baixista Pete Agnew, Dan McCafferty era o único integrante da formação original. “Rock ‘n’ Roll Telephone” traz um clima de despedida.

Mas não pense que isso tenha se traduzido em um repertório predominantemente melancólico. À exceção da quase acúsica “Winter Sunlight”, uma balada bonita que parece ser exatamente o adeus de McCafferty à cena musical – o verso final é “This could never be the same without you” (“Nunca será a mesma coisa sem vocês”, em tradução livre) – o restante do disco é bem pra cima.

O repertório abre com a animada “Boom Bang Bang”, um hard rock que soa fresco como se a banda a tivesse feito em um passado já não tão próximo, quando os cabelos eram mais escuros e as rugas ainda não se avistavam. Essa vitalidade se sente ao longo de todo o disco.

“Rock ‘n’ Roll Telephone” é variado, não soa datado e para quem conhece a banda, ele fica circulando numa faixa entre o agito de “Razamanaz” e a melação de “Love Hurts”, sem nunca tocar nenhum dos extremos. E isso não significa que seja um disco morno. Pelo contrário. É um disco que não apela ao passado excessivamente, ainda que, óbvio, a música da banda seja um amálgama de toda sua história e às vezes remeta a ‘hits’ de outras épocas – como acontece em faixas como “Speakeasy” e “Punch a Hole in the Sky”.

Parece que o som do Nazareth em “Rock ‘n’ Roll Telephone” está mais lapidado. É um disco pesado mas sem urgência juvenil, como se ouve em “Not Today” – uma das melhores do disco – e “God of the Mountain”. É também romântico, mas sem afetação, como na balada “The Right Time”.

Além das 11 músicas da edição padrão, O Nazareth preparou uma versão do disco que traz mais sete bônus, incluindo cinco faixas ao vivo. As outras duas são a pesada “Just a Ride” e a trilha de comercial bacana “Wanna Feel Good?” – ambas fazem valer a escolha por essa versão. “Rock ‘n’ Roll Telephone” é um grande disco. Uma despedida de honra para McCafferty. Resta saber se Linton Osborne, o vocalista substituto já anunciado, irá segurar a bronca daqui em diante.

01. Boom Bang Bang
02. One Set of Bones
03. Back 2B4
04. Winter Sunlight
05. Rock ‘n’ Roll Telephone
06. Punch a Hole in the Sky
07. Long Long Time
08. The Right Time
09. Not Today
10. Speakeasy
11. God of the Mountain
12. Just a Ride
13. Wanna Feel Good?
14. Big Boy (ao vivo)
15. Kentucky Fried Blues (ao vivo)
16. Sunshine (ao vivo)
17. Expect No Mercy (ao vivo)
18. God Save the South (ao vivo)

Fonte: Rock Online

Resenha: Arch Enemy – War Eternal

arch enemy war eternal

A perda de um vocalista é sempre um momento crítico para uma banda. Afinal quase sempre esse integrante não representa apenas a voz da banda, mas também a cara. E quando uma mulher é a dona do cargo, tudo fica ainda mais complicado.

Por quase 15 anos, o Arch Enemy teve a endiabrada Angela Gossow como vocalista. A loira, admirada até mesmo por quem não era assim tão chagado no death metal melódico, foi alçada a status de musa e parecia ser peça insubstituível na banda.

Mas há poucos meses, Angela anunciou que estava deixando os palcos – embora vá continuar como empresária do Arch Enemy. Sua substituta, a canadense Alissa White-Gluz, é ex-vocalista do The Agonist e tem tudo para ocupar o posto com louvor. Ela é absolutamente talentosa, agressiva e também fortíssima candidata a musa.

“War Eternal” é o primeiro lançamento com essa nova configuração e tem muito potencial para deixar felizes todos os antigos fãs, além de angariar novos. Trata-se de um trabalho feito com muito capricho, da arte gráfica até a produção em si. Quem cuidou do que diz respeito ao áudio, inclusive foi o próprio fundador, guitarrista e tecladista Michael Amott.

O repertório é um verdadeiro massacre, mas nunca soa monótono. O Arch Enemy alterna passagens velozes com outras mais cadenciadas e cria melodias marcantes em meio ao caos – ainda que cantadas de forma demoníaca – e até traz referências eruditas.

O entrosamento entre os integrantes é total, mas o ponto forte é, mais uma vez, o trabalho de guitarras, com riffs, licks e solos de primeira categoria. Vale mencionar que o parceiro de Amott agora é Nick Cordle, que também ajudou bastante na composição de “War Eternal”.

Alissa White-Gluz faz sua parte como gente grande, sem se intimidar. Sua voz é tão assustadora quanto a de Angela, mas ainda mais versátil. Isso significa que ela consegue ir facilmente do gutural até o mais rasgado e ainda faz uma coisa ou outra mais ‘clean’. Brilhante.

Nem toda mudança é acertada, mas esta foi um golaço do Arch Enemy, que parece ter ganhado fôlego para mais muitos anos de estrada.

01. Tempore Nihil Sanat (Prelude in F minor)
02. Never Forgive, Never Forget
03. War Eternal
04. As The Pages Burn
05. No More Regrets
06. You Will Know My Name
07. Graveyard Of Dreams
08. Stolen Life
09. Time Is Black
10. On And On
11. Avalanche
12. Down To Nothing
13. Not Long For This World

Fonte: Rock Online

 

Resenha: Judas Priest – Redeemer of Souls

judas priest redeermer of souls

Quando o Judas Priest anunciou que faria uma turnê de despedida – a “Epitaph Tour” – ainda no final de 2010, muitos fãs ficaram órfãos. E muita gente, é verdade, achou que a banda fazia bem em parar, antes de ‘ficar ruim’. Ainda mais quando K.K. Downing, guitarrista da formação original, disse que estava fora da banda.

Mas a história do Judas não terminou nem com a turnê de despedida nem com a baixa na formação. Ainda em 2011, em meio à turnê que seria a última do grupo, Rob Halford e Glenn Tipton começaram a compor novas músicas e anunciaram que um disco estava a caminho. Aos fãs restou segurar a ansiedade.

E finalmente em 2014 “Redeemer of Souls”, décimo sétimo álbum da banda, chega às lojas e aos nossos ouvidos. O som é um Heavy Metal tradicional, mas há também, aqui e acolá, um amálgama de tudo o que o Judas Priest já fez.

O disco abre com “Dragonaut” com riffs empolgantes e um ritmo que faz o corpo balançar – vejo ‘air guitars’ na plateia dos shows. A faixa que dá nome ao álbum segue a mesma fórmula. A épica “Halls of Valhalla” é ainda melhor do que as duas. Só por essa trinca, o disco já vale as três estrelas dessa resenha.

Outros destaques são “Battle Cry”, com sua aura de anos 80; a pesada “Metalizer”, “Crossfire” e ainda o hard rock “Hell & Back”. Elas chamam a atenção ou por causa de sua cadência e pegada ou porque há refrão e passagens que convidam a acompanhar levando as cordas vocais aos limites – vamos admitir, fãs de heavy metal não resistem a cantar gritos/coro/refrão junto com a música.

A versão ‘deluxe’ do disco traz cinco faixas extras. Mas se você ficar com as 13 da versão padrão, já tem o pacote completo. Não que elas não sejam boas, mas não são essenciais para a obra, ainda que “Redeemer of Souls” não seja um disco conceitual (as faixas falam de um tudo, de dragões a aliens). Ok, vá lá, eu gostei de “Tears of Blood”. Ela lembrou minha adolescência lá no comecinho dos anos 90. Mas “Never Forget”, a balada com seis minutos e meio que encerra a versão deluxe, é bem chatinha.

A produção, nas mãos de Mike Exeter e do guitarrista Glenn Tipton, soa na medida. Nada sobrando, nada faltando. É a sonoridade que se espera do Judas Priest. E Rob Halford usa sua voz com inteligência e não abusa de agudos que não conseguiria reproduzir ao vivo.

Vale dizer que o novo guitarrista, Richie Faulkner, contribuiu nas composições do disco. E ainda assim, elas soam como o bom e velho Judas Priest – ou ele não pôde, ou não quis se aventurar. Ou isso é o que ele faria dentro ou fora do Judas Priest. O fato é que Faulkner encaixou-se no som do Judas como uma peça em um quebra-cabeça: sem rebarbas, sem erro, sem susto, sem dificuldade.

Faz bem o Judas Priest em sair em turnê com “Redeemer of Souls”. Ele pode não ser o melhor disco da banda, mas é uma coleção de músicas que fazem bonito na quarentona carreira do grupo.

01. Dragonaut
02. Redeemer of Souls
03. Halls of Valhalla
04. Sword of Damocles
05. March of the Damned
06. Down in Flames
07. Hell & Back
08. Cold Blooded
09. Metalizer
10. Crossfire
11. Secrets of the Dead
12. Battle Cry
13. Beginning of the End

Bônus

14. Snakebite
15. Tears of Blood
16. Creatures
17. Bring It On
18. Never Forget

Resenha: Kappa Crucis – Rocks

Kappa-Crucis

Antes de tudo, é bom fazer um breve histórico sobre o Kappa Crucis. Trata-se de uma banda formada em Apiaí (São Paulo), nos idos dos anos 1990, que aposta todas as fichas no rock clássico setentista com uma pegada ora mais voltada para o heavy, ora mais progressiva. “Rocks” é o segundo trabalho da banda, formada por G. Fischer (voz e guitarra) e F. Dória (bateria), R. Tramontin (baixo) e A. Stefanovitch (teclados).

As composições são fortemente inspiradas em bandas como Uriah Heep, Jethro Tull, Lynyrd Skynyrd e Deep Purple. Temos riffs de guitarra com aquele drive vintage, muitos teclados e uma cozinha simples, mas bastante presente. Já a produção segue a linha “fita K7”, na tentativa de emular um som “das antigas”.

É louvável o fato de a banda não apenas fazer esse tipo de música nos dias de hoje, mas de buscar também uma abordagem diferenciada e peculiar. O Kappa Crucis, assim, demonstra que tem muita personalidade e faz o que ama, sem se importar com mais nada.

E eles se saem muito bem em algumas faixas como “The Braves and the Fools”, “Strange Soul” e “What Comes Down”, possivelmente as mais interessantes do disco. As melodias de voz, no entanto, não chegam a impressionar e as faixas geralmente são longas e repetitivas demais.

De qualquer maneira, “Rocks” é divertido e, no mínimo, curioso. Embora seja indicado para todos, é preciso entender e se identificar com a proposta da banda. Assim, o Kappa Crucis deve agradar mesmo os mais saudosistas, que já passaram dos 40 anos de idade.

Kappa Crucis – Rocks

2014 – Som do Darma

01. What Comes Down
02. Mecathronic
03. School Of Life
04. Invisible Man
05. Strange Soul
06. Flags And Lies
07. Nobody Knows
08. Between Night And Day
09. When The Legs Are Wheels
10. The Braves And The Fools

Fonte: Rock Online

 

Resenha: Edguy – Space Police – Defenders of the Crown

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“Space Police – Defenders of the Crown” é, provavelmente, o álbum mais pop já feito pelo Edguy. Mas, calma! Ainda é um disco pesado, com excelente instrumental e os característicos vocais de Tobias Sammet, mas a banda caminha cada vez mais para uma sonoridade voltada ao hard rock e com alguns elementos mais acessíveis, comercialmente falando.

Não há nada de errado nisso e mostra que a banda está lentamente procurando uma sonoridade que seja a cara do Edguy e não somente mais uma banda de power metal alemã, como tantas. Talvez alguns fãs não assimilem a mudança, mas isso vai mesmo de acordo com a preferência de cada um.

A faceta pop se mostra mais latente na quase balada “Alone in Myself”, com o refrão em coro e vocalizações duvidosas. No final, acaba convencendo. Mas esta é a música número nove do disco e antes disso tem muita coisa boa de verdade.

“Sabre & Torch” abre o disco com uma bateria rápida e ótimos riffs de guitarra. Sammet canta alto e mostra que ainda tem muito potencial. No melhor estilo power/melódico, a música tem um “ôôôôô” no refrão, daquele que já sabemos como funciona bem ao vivo.

“Space Police” começa com destaque no teclado e segue com um interessante riff abafado que resulta num refrão que empolga pela linha vocal. Porém no final tem uma vocalização que parece piada. Algo como um fantasma espacial. Só ouvindo para saber.

As raízes power metal estão presentes no disco com a ótima “Defenders of the Crown”. Bumbos duplos à alta velocidade, refrão repetitivo e pegajoso, para todos cantarem juntos em uníssono, guitarras dobradas no final do solo, um interlúdio lento que aos poucos vai crescendo até o refrão. Ponto alto do disco junto com “Love Tyger”, o primeiro single do disco, que vem na sequência.

Quem prefere o lado mais power do grupo, vai gostar de “The Realms of Baba Yaga”, música rápida, cheia de energia e com um riff interessante e a melhor performance vocal de Sammet no disco. E depois disso vem um leve susto…

Se você nasceu depois de 1990 talvez não conheça a música que vem na sequência, “Rock Me Amadeus”, mas trata-se de um clássico dos anos 80 originalmente lançado pelo cantor alemão Falco. Pergunte para aquele tio que frequentava as baladas de sons dos anos 80 e ele te explica.

Mas o saldo do cover é bem positivo. O Edguy conseguiu dar uma roupagem metal para a faixa e, na verdade, ela sempre foi uma música divertida. Ainda que não tenha sido uma transformação tão bem sucedida quanto aquela feita pelo Gamma Ray com “It’s a Sin”, do Pet Shop Boys.

Depois disso o disco escorrega de vez com “Do Me Like a Caveman”. Tudo bem, ela é mais uma daquelas com refrão pomposo para todos cantarem juntos, mas o domínio do teclado é maçante e quase fora de contexto.

A edição padrão do CD traz 10 faixas, mas a edição deluxe traz um segundo CD com outras duas músicas inéditas e outras quatro versões instrumentais. Apesar das versões instrumentais servirem apenas para encher linguiça, o CD bônus traz duas faixas excelentes.

A primeira é a balada “England”, uma homenagem sarcástica e bem-humorada ao país britânico e a duas das grandes influências da banda: Steve Harris e Bruce Dickinson. “Eu posso gostar de Nova York, Bavaria ou Paris / Mas nada se compara a você, Inglaterra / Porque a Inglaterra tem Steve Harris”, diz um trecho da música.

A segunda faixa bônus é, nitidamente, uma homenagem ao Def Leppard. A música tem o nome de “Aychim in Hysteria” e simplesmente se parece demais com as baladas do início de carreira da banda de Joe Elliot.

Definitivamente o Edguy deu mais um passo para fora do círculo do power metal, adicionando principalmente elementos do hard e pop em busca de sua própria sonoridade.

Edguy – Space Police – Defenders of the Crown

2014 – Nuclear Blat

Track List:

01. Sabre & Torch
02. Space Police
03. Defenders of the Crown
04. Love Tyger
05. The Realms of Baba Yaga
06. Rock Me Amadeus
07. Do Me Like a Caveman
08. Shadow Eaters
09. Alone In Myself
10. The Eternal Wayfarer
11. England (bonus deluxe)
12. Aychim in Hysteria (bonus deluxe)
13. Space Police (Progressive version – bonus deluxe)
14. Space Police (Instrumental version – bonus deluxe)
15. Love Tyger (Instrumental version – bonus deluxe)
16. Defenders of the Crown (Instrumental version – bonus deluxe)
17. Do Me Like a Caveman (Instrumental version – bonus deluxe)

 

Fonte: Rock Online

Resenha: Doctor Pheabes – Seventy Dogs

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Esta resenha foi publicada primeiramente no site Rock on Stage, e devido a sua qualidade e por expressar a mesma opinião que a minha estou republicando aqui, com os devidos créditos.

Leia a baixo a resenha completa:

Apesar de estarem lançando seu primeiro cd agora em 2013, o embrião do que hoje é o Doctor Pheabes estava presente com Fernando Parrillo guitarra solo ), Eduardo Parrillo guitarra e vocal ), Fábio Ressio baixo ) e Paulo Rogério Ressio ( bateria ) desde 1986, mas com o nome de Tinta Fresca, que em 1992 gravaram seu primeiro LP e chegaram até oDomingão do Faustão, por incrível que pareça. Eles pararam suas atividades e voltaram a tocar juntos com o nome de Pig Head por pouco tempo, mas foi com o nome de Doctor Pheabes que a banda finalmente ganhou a estrada. Isso aconteceu no segundo semestre de 2011 e podemos dizer que o quarteto recebeu sua inspiração de nomes como Led Zeppelin, Lou Reed, AC/DCLynyrd SkynyrdVan Halen Peter Frampton.

    Seventh Dogs, foi gravado, mixado e masterizado no Midas Estúdio entre fevereiro e outubro de 2012 com produção deRenato Patriarca, responsável pelo Sacos Plásticos do Titãs ( Renato ganhou um Grammy Latino em 2009 ). OSeventh Dogs abriu shows do Marcelo NovaKid Vinil e mais recentemente do Capital Inicial em 2013.

 Com latidos de cachorros e riffs de guitarras que entram na medida, o Rock´n´Roll/Hard Rock da faixa título Seventy Dogs entra com os vocais mais graves de Eduardo Parrillo no melhor estilo de nomes como AC/DC Motörhead de ser, porém, com pegada própria que te conquista com facilidade, aliás o refrão é muito bom. Para Let Me Down, o Doctor Pheabes investe em uma ótima linha que combina de forma bem interessante os toques na bateria de Paulo Rogério Ressio com os vocais de Eduardo Parrillo junto com um ritmo de guitarras feito com muita categoria por ele e seu irmão Fernando Parrillo, que resultam em um Rock´n´Roll Pesado e largadão, especialmente na hora dos solos de guitarras a laZZ Top. Com dedilhados lentos que recebem as linhas mais pesadas feitas pelos guitarristas Eduardo Parrillo Fernando Parrillo, Godzilla nos mostra um Rockão dos bons que teve sua inspiração nos anos 70, porém, a forma de cantar de Eduardo Parrillo  com seu vozeirão mais forte – exibe uma marca do Doctor Pheabes. Aliás, na hora dos solos ouvimos guitarras rasgadas e mais pesadas transformando o som de um Rockão Pesadão para um Heavy Metal de alto nível.

    A linha ‘cara de mau’ do som do Doctor Pheabes é tudo que gostamos de ouvir, mas, a banda paulista sabe também como emocionar, como percebe-se na balada Sound, que é cantada com muita habilidade por Eduardo Parrillo ao deixar sua voz menos grave. O ritmo acústico é um feliz destaque desta quarta canção de Seventy Dogs junto ao solo cheio de categoria dos irmãos Parrilho nas guitarras. Hey Mamma e uma sonzeira cujo andamento instrumental e os vocais te conquistam logo nos primeiros versos, pois, Eduardo Parrillo canta com muito feeling em um ambiente criado pelos dois guitarristas. Note como a melodia Hard/Heavy produzida vai crescendo e aumenta a ligação com quem escuta a música.

  Para Where Do You Come FromEduardo Parrillo e Fernando Parrillo enviam longos e brilhantes riffs, que fazem o alicerce necessário para que o irmão vocalista solte seus os vocais e nos convide a participar com alegria da música, além disso não posso deixar de ressaltar também o andamento da cozinha da banda ( com outra dupla de irmãosFábio Ressio no baixo e Paulo Rogério Ressio na bateria ).

    E falando em bateria, após uma marcação nos pratos de Paulo Rogério Ressio temos uma ótima evolução onde novamente os irmãos responsáveis pelas guitarras nos trazem vigorosos solos e merecem os holofotes e quando ouvimos os vocais, Running To The Edge prova porque é uma das melhores músicas deste Seventy Dogs e como você irá admirá-la na primeira audição.

    Depois de uma sonzeira onde a banda exibiu uma sequencia virtuosa nas guitarras, nada mais justo que dar uma acalmada, não é? E em Lost Girl, temos uma balada dotada de vocalizações emocionantes devidamente embasadas em uma excelente melodia e um andamento praticamente acústico, exceção feita apenas para aquele indefectível e grandioso solo de guitarra, que não poderia faltar para agradar ainda mais a quem ouve o disco.

 Com Suzy recebemos solos de guitarras mais fortes e com algumas distorções, entretanto isso até que Eduardo Parrillo cante, pois daí para diante o ritmo fica ainda melhor e nos cativa ainda mais, isso tudo porque o Doctor Pheabes nos envia um ‘Metalzão’ cheio de energia. Quando eles aceleram o seu andamento, criaram momentos que são ainda melhores na fina arte de tocar guitarra, e aí meu amigo(a) quem gosta de um som feito como está nas escrituras sagradas do Heavy Rock aprecia e viaja. Para bater o martelo, este ótimo disco de estreia do Doctor Pheabes guarda ainda Just Want To Live Forever, que exibe uma apurada habilidade que lembrou-me na hora do Lynyrd Skynyrd pelos solos que te conduzem cada vez mais longe e a entrega que Eduardo Parrillo faz nos seus vocais.

    Seventy Dogs, com suas sonzeiras ‘estradeiras’ que são sustentadas nas guitarras é um maravilhoso álbum que marca digamos o ‘nascimento’ de uma trupe que mergulhou com competência no melhor Hard´n´Heavy. O Doctor Pheabes irá conseguir brilhar rapidamente com este trabalho, pois talento eles possuem de sobra. Não é por acaso que a banda está entre as atrações do Monsters Of Rock de 2013.

Fonte: Rock On Stage

Doctor Pheabs – Seventy Dogs

Independente 

2013

Resenha Show: Noturnall – Sorocaba 16-05-2014

Noturnall Sorocaba (41 de 42)

No último dia 16 de maio, aconteceu na cidade de Sorocaba o show do Noturnall. O evento ocorreu no Pirilampus Bar e Boliche com as bandas Hammathaz e Blackdome de abertura.

O Noturnall é uma formado pelos integrantes da banda Shaman, mais o experiente baterista Aquiles Priester (Ex-Angra, Hangar). Este show foi o terceiro da banda em promoção de seu aclamado álbum de estreia, Noturnall.

Quem compareceu ao show pode ver uma banda totalmente renovada e inspirada. Quem ouviu o álbum do Noturnall, sabe que o som dos caras é uma pegada totalmente nova, se comparado com suas bandas anteriores. O set list contou é claro com as musicas do seu álbum de estreia e magníficos covers de bandas como Pantera e Tears for Fears. Esta última contou com a emocionante participação da mãe do vocalista Thiago Bianchi, a cantora Maria Odete.

Para quem ainda não viu o videoclipe desta parceria veja a baixo:

Como citei acima o show foi repleto de surpresas, além de vários solos como os do guitarrista, Léo Mancini, Um solo em conjunto do baixista, Fernando Quesada e do tecladista, Junior Carelli. Claro que não poderia faltar o grande solo de bateria de Aquiles Priester, que levantou o publico.

Confira abaixo a entrevista que o vocalista Thiago Bianchi concedeu para a Metal Generation.

Veja a galeria de fotos do Show:

Resenha: Lacuna Coil – Broken Crown Halo

lacuna coil broken
Confesso que estava bem curioso para escutar Broken Crown Halo, novo álbum dos italianos do Lacuna Coil. É inegável que uma das características principais da banda foi sempre se desenvolver de um trabalho para o outro, procurando trazer algo novo a cada lançamento e evitando cair na armadilha de fazer o mais do mesmo. Desde Karmacode (2006), passaram a adicionar doses de Nu Metal a seu som, praticando uma espécie de Melodic Gothic Metal moderno que, se desagradou em parte os fãs de seus álbuns mais antigos, abriu a eles as portas do mercado americano, dando muito mais visibilidade à banda e os fazendo sair do gueto do Metal, conseguindo boas colocações inclusive na Billboard 200.
Talvez por isso, hoje o Lacuna Coil tenha mais liberdade para fazer o que bem desejar quando o assunto é sua música. Sendo assim, em Broken Crown Halo, resolveram não focar tanto no mercado americano. Não, não é um retorno as suas raízes, como já vi erroneamente diversos críticos musicais apontarem. Se você for escutar o álbum acreditando nisso, vai se decepcionar. Mas é inegável que trouxeram de volta certos elementos do passado a sua música, encontrando certo equilíbrio entre o som mais grooveado praticado nos últimos álbuns com aquela aura mais Dark que possuíam até o Comalies (2002). O ponto forte do Lacuna Coil sempre foi o contraste do dueto vocal de Cristina Scabbia e Andrea Ferro, algo que já não vinha mais se fazendo tão presente. Aqui, em alguns momentos, temos de volta aqueles velhos vocais urrados que Andrea sempre fez tão bem, fora uma maior participação sua nas demais músicas, sempre fazendo ótimo contraponto a voz de Cristina. Chama atenção também a produção mais orgânica, diferente dos seus trabalhos anteriores, focados para o mercado americano. Os maiores destaques aqui ficam para “Nothing Stands in Our Way”, bem equilibrada e resumindo todo o contexto do álbum, para a melódica e agressiva “Zombies”, onde Andrea se destaca, “Die & Rise”, com um que de Korn e um bom refrão, “I Forgive (But Won’t Forget Your Name)”, feita para tocar nas rádios rock por ai e a forte “Infection”.
Com Broken Crown Halo, o Lacuna Coil parece finalmente ter encontrado um equilíbrio para sua música. Com riffs pesados, melodias mais obscuras, mas ainda sim com um som de fácil assimilação, fizeram sem sobra de dúvidas seu álbum mais forte em muito tempo. Você pode até vir a dizer que na época do Comalies era melhor, ainda sim isso não vai desmerecer o belo trabalho feito aqui.
Lacuna Coil – Broken Crown Halo (2014)
Century Media
01. Nothing Sands in Our Way
02. Zombies
03. Hostage To The Light
04. Victims
05. Die & Rise
06. I Forgive (But I Won’t Forget Your Name)
07. Cybersleep
08. Infection
09. I Burn In You
10. In The End I Feel Alive
11. One Cold Day